O Barão de Münchhausen

Já falei aqui sobre nosso amigo Barão.

Hoje eu inicio uma categoria especial só com as histórias desse famoso personagem da história. Um alemão patriota ao extremo, sarcástico e que adora enfeitar suas histórias - mas quem não gosta?


Divirtam-se!







Capítulo I - Da Viagem à Rússia (parte 1)


Minha viagem da Alemanha à velha Mãe Rússia deu-se em pleno inverno. Acreditando no judicioso raciocínio que, em tempos de neve, as estradas até aquele país são mais transitáveis que em tempos de sol, fui a cavalo – que é, certamente, o mais agradável dos meios de transporte - desde que o cavaleiro e o animal sejam bons.


Porém, por descuido meu, estava muito mal agasalhado e o frio chegava às minhas espinhas ao passo em que cada vez mais me afundava naquele império de gelo.


Imaginai agora, sob aquele tempo desagradável e inóspito, um pobre velho que mais parecia um cadáver estava estirado à beira da estrada, exposto a um vento glacial, cobrindo sua nudez apenas com uma manta de palha. O aspecto do pobre homem me retorceu a alma; e, embora fizesse um frio de petrificar o coração dentro do peito, atirei-lhe meu capote. Ao mesmo tempo, bradou no céu uma voz louvando minha caridade:


“O diabo que Me carregue, Meu filho,

se essa boa ação ficar sem recompensa!”


Segui minha viagem até que as trevas me surpreenderam. A noite caiu como as águas das mais altas cataratas que há sob a abóbada celeste. Nenhum sinal ou ruído que indicasse a presença de uma aldeia: tudo estava coberto de neve e não enxergava um palmo diante dos meus olhos.


Sob tais condições, decidi parar e descansar. Amarrei meu cavalo a uma espécie de galho de árvore que havia por perto. Dormi tão profundamente que acordei já com o dia claro. E para meu espanto, estava simplesmente no meio de uma aldeia, no cemitério! De imediato procurei e não encontrei meu potro, mas em seguida escutei um relincho vindo por cima de mim. Ergui a cabeça e pude perceber que meu cavalo estava pendurado no galo do campanário.



Logo me dei conta do extraordinário acontecimento: eu encontrara o vilarejo coberto de neve; durante a noite, o tempo havia melhorado repentinamente, e, enquanto eu dormia, a neve, ao derreter, me fizera baixar com toda suavidade até o chão; e a coisa que, no escuro parecia um galho de árvore, nada mais era do que o mastro do galo do campanário.


Prontamente tomei uma de minhas pistolas e atirei nas rédeas de meu animal, o fazendo cair em meus braços para podermos retomar a viagem.









fonte:

Grandes obras da cultura universal - Volume 15. editora Villa Rica - Belo Horizonte, Brasil 1990

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