Revolução Chinesa

I. Precedentes

Ao longo da história, a China foi explorada abusivamente por europeus, principalmente pela Inglaterra no século XIX. Essa exploração foi muito profunda, pois as elites locais apoiavam essa dominação ao embasarem-se na filosofia Confucionista, que pregava o respeito à hierarquia e ao passado, mantendo as tradicionais estruturas de privilégios existentes.

No final do século XIX para o início do século XX, aconteceu na China a Revolta dos Boxers (1898-1901), que foi uma tentativa de derrubada desses valores e, consequentemente, da dominação estrangeira que estrangulava o povo.

Embora a revolta tenha fracassado, ela despertou o descontentamento geral; mostrou que era possível pelo menos tentar lutar contra o status quo em que se encontravam. A chama revolucionária fora acesa, conscientizando a população de que a dinastia Manchu, que então governava a China e apoiava a dominação internacional, era responsável pela miséria do país.


II. A República do Kuomintang e a Criação do PCC

Em 1911, em meio à ebulição sociopolítica, foi proclamada a República Chinesa, com o estabelecimento de um governo que quase nada pôde fazer contra as potências que ocupavam o país. Não tinha força nem mesmo contra os "senhores da guerra", que eram proprietários de terras e exerciam grande poder em seus domínios.

Em 1919, com o fim da Primeira Guerra, estourou uma onda de contestações às concessões dadas às potências imperialistas sobre a China pelo Tratado de Versalhes. Em maio de 1919, três mil estudantes se manisfestaram em Pequim contra as humilhações impostas pelo Japão em seu próprio território. Os estudantes logo foram apoiados por outros segmentos da sociedade, que promoveram grandes manifestações em todo o país.

Uma dessas manifestações aconteceu em 1920, influenciada também pela Revolução Russa, enquando Chen Tu-xiu fundava o Partido Comunista Chinês, que contava com a participação de Peng-Pai e Mao Tsé-tung.

No início da década de 20 não houveram muitos atritos entre o Kuomintang e o PCC, que crescia de forma exponencial.

O objetivo primordial do Kuomintang era garantir a integração nacional, lutando contra o autonomismo dos "senhores da guerra" e as potências internacionais; e nisso os dois partidos eram convergentes, formando a Frente Única, lutando lado a lado contra o inimigo em comum.

III. Início dos Atritos

Porém, a partir de 1925, Chiang Kai-shek assumiu o comando do exército nacionalista e iniciou uma política agressiva contra o PCC e os chefes militares locais. Isso fez romper-se a Frente Única e iniciar uma guerra civil em 1930. Os chefes militares passaram a apoiar Kai-shek por medo da efervecência popular e do próprio PCC.

Chiang também foi bem visto pelas potências invasoras, que passaram a ver o Kuomintang como vital para a manutenção da China sob seu domínio.

O PCC sofreu derrotas em Xangai e Pequim e rumaram para o campo. Passaram a organizar suas bases de apoio e em 1931 proclamaram a República Soviética da China ao leste o país, dando força e coesão ao movimento comunista.

Enquanto isso, Chiang mantinha unidade do país sob aval de uma série de acordos com os chefes militares locais, os únicos que comprometiam a própria unidade política nacional.

Aproveitando a fragilidade e indefinição político-territorial chinesa, o Japão invadiu a Manchúria (região nordeste do país) em 1931, estabelecendo um estado satélite. Invasão esta, que serviu de ingrediente à já saturada panela de pressão que levaria à Segunda Guerra Mundial.

O Kuomintang estava pressionado por todos os lados: invasão japonesa, pressão internacional e a expansão célere do PCC no campo. Em 1934, os nacionalistas (Kuomintang) organizaram uma massiva campanha militar para acabar com o avanço do PCC.

Fugindo das tropas do Kuomintang, os cem mil homens de Mao percorreram dez mil quilômetros a pé. Episódio conhecido como A Longa Marcha (1934-1935). A Longa Marcha pode ser entendida a partir dos seguintes pontos de vista:

• Como uma fuga: O PCC, de fato, estava fugindo das tropas nacionalistas que o perseguiam em todos os lugares. Chefes militares denunciavam a presença de comunistas, etc. Eles mal tinham tempo para parar, sempre fugindo de ataques-surpresa.
• Como uma propaganda: Ao passo que o PCC fugia do Kuomintang, ia deixando em seu encalço os ideais revolucionários comunistas, que proporcionaram a adesão das massas ao movimento.

Ao fim da marcha, apenas nove mil comunistas haviam sobrevivido. Muitos morreram de fome, frio, doenças ou mesmo mortos por nacionalistas.

Ao voltar à base comunista no leste do país, Mao foi condecorado como líder dos vermelhos, sendo escolhido para secretário geral do PCC.

IV. A Paz temporária: Segunda Frente Única

Diante da expansão do avanço japonês, Mao propôs a organização de uma nova frente única - Kuomintang e PCC - com objetivo de lutar contra o inimigo em comum. O acordo foi fechado em 1937.

Essa frente única deu ao PCC o controle de parte do exército chinês, o que lhe conferiu maior poder. E além disso, proporcionou-lhe maior popularidade devido às denúncias de corrupção das tropas do Kuomintang.

V. A Revolução: O fim da Segunda Frente Única

Com a rendição do Japão em 1945, Chiang decreta uma nova mobilização nacional contra o PCC, a fim de eliminar de uma vez por todas os vermelhos da China: era a continuação da guerra civil.

Os nacionalistas contavam com apoio logístico norte-americano, que pode-se dizer que tal apoio foi um dos primeiros movimentos da Guerra Fria. Por aceitar esse apoio, o povo chinês passou a ver Chiang e seu governo como "cúmplice do estrangeiro".

A União Soviética, por outro lado, estava muito envolvida com seus problemas pós Segunda Guerra e não apoiou efetivamente o Exército Popular de Libertação, que mesmo sem tal ajuda continuou avançando contra o Kuomintang.

O exército do PCC, seguindo táticas de guerrilha, foi ganhando terreno, até que finalmente em Janeiro de 1949, invadiu Pequim vitorioso, e, em 10 de Outubro foi proclamada a República Popular da China.

Chiang e seus seguidores foram para a ilha de Formosa (Taiwan), onde proclamaram a China Nacionalista, que recebeu apoio intenso dos EUA durante toda a Guerra Fria. Ao mesmo tempo, os EUA negaram o reconhecimento diplomático da China Comunista e a isolaram economicamente.

A China se mantém Comunista até hoje, embora sua economia seja aberta
Não se sabe muito sobre a real condição da população Chinesa, porém, acredita-se que ainda haja muita pobreza. Os mais críticos dizem que a China conseguiu distribuir a pobreza, mas ainda precisa aprender a distribuir a riqueza.

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