A censura chinesa

Na China, existe uma espécie de agência reguladora dos meios de comunicação, é a Xinhua News Agency, o órgão de notícias oficial.

Além da cartilha oficial, a Xinhua produz matérias, e a maior parte dos veículos simplesmente as reproduz.
De modo geral, tudo que circula de notícias na China é produzido pelo governo, mas de forma que ninguém perceba essa censura.

Um exemplo ocorreu no dia 24 de março de 2008. A ONG Repórteres sem Fronteiras organizou um protesto contra a repressão chinesa no Tibete no local da passagem da tocha olímpica. Mas o que os chineses viram pela televisão foi bem diferente: como não existem canais de TV não oficiais, todos viram imagens de esculturas gregas em vez do protesto!

Controle Moral: A censura não barra apenas críticas políticas. Temas relacionados a sexo e questões que possam gerar polêmicas, como drogas e homossexualismo, também são barrados. O governo proibiu, por exemplo, entrevistas com uma atriz que fez cenas de sexo em um filme no país. A saída na arte é fugir de críticas explícitas.

A Grande Muralha: A internet chinesa é controlada através do "Escudo Dourado", um firewall, sistema de segurança que bloqueia sites que contenham certas palavras consideradas "perigosas" pelo governo. Os sites bloqueados entram para uma espécie de lista negra e, a partir deles, tenta-se chegar a outras URLs "subversivas".

30 mil algozes: A Xinhua News é responsável por ditar as regras da mídia. Existem cerca de 30 mil censores contratados para analisar o conteúdo de textos, vídeos e áudios.

Liberdade Vigiada: No sul do país, onde há grande circulação estrangeira, há algumas ilhas de liberdade. Nos hotéis de mais de três estrelas, em geral não há restrições para jornais e canais de TV estrangeiros. Hong Kong tem menos restrições, mas a circulação de seus jornais é barrada em outras regiões.

Mídia clandestina: Por mais rigoroso que seja, o governo não consegue controlar trocas de informações entre pessoas. Além de folhetins que circulam de forma clandestina, há também brechas digitais. Uma dessas brechas é o envio de textos, fotos e vídeos via celular.

Canal fechado: CCTV é o canal de TV oficial. Além dele, que é nacional, também há estações regionais, mas todas são do governo. Por isso, na China não há transmissões ao vivo. As coberturas supostamente em tempo real têm um delay (atraso) de nove segundos, tempo suficiente para cortar ou mudar a imagem caso algo inesperado aconteça.


Adaptado de: Revista Mundo Estranho - ed.075 - maio 2008

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