O Barão de Münchhausen

Capítulo II - Das Histórias de Caça (2)



Um homem público como este humilde barão que vos fala, certamente tem uma vida social agitada e regada a muitas amizades. Como não é de meu feitio deixar faltar comida em minhas reuniões sociais, por muitas vezes empreendi imensas caçadas para suprir as mesas para meus convidados.

Recordo que um dia, num lago, avistei algumas dúzias de patos selvagens, muito espalhados para que eu pudesse atingir com um só tiro um número suficiente deles. Para cúmulo do azar, só me restava uma última carga na espingarda e eu justamente queria abatê-los todos para encher a mesa

Ocorreu-me então que ainda trazia em minha bolsa um pedaço de toucinho, resto do meu almoço.

Amarrei o pedaço de toucinho à ponta da corda do meu cão e atirei a isca à margem da lagoa. Minha técnica não tardou em funcionar.

O primeiro pato logo se aproximou e a engoliu. Graças à untuosidade do toucinho, minha isca não tardava em atravessar os patos um a um de ponta a ponta. Após alguns instantes, meu naco de toucinho atravessara todos os patos, como um colar de pérolas.

Recolhi o material e dei alguns nós em volta do ombro e retornei à casa.
Como ainda tinha uma boa caminhada a fazer e aquela quantidade de caça pesava bastante, sobreveio um acontecimento que, de início, me assustou: os bichos começaram a bater as asas e assim me fizeram subir com eles aos ares. Tratei rapidamente de me adaptar à inusitada situação. Usando abas de meu casado como se fossem lemes, guiei-me para minha residência.

Ao chegar em cima da casa, diante do problema de pousar no solo sem me machucar, fui torcendo um a um o pescoço dos patos e desci suavemente pelo tubo da chaminé. Para grande susto do meu cozinheiro, caí na lareira, que por sorte não estava acesa.

fonte:

Grandes obras da cultura universal - Volume 15. editora Villa Rica - Belo Horizonte, Brasil 1990

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