O Barão de Münchhausen

Capítulo II - Das Histórias de Caça (1)


É desnecessário endossar-lhes que, senhores, minha sociedade predileta é formada de bravos companheiros que sabem apreciar o nobre prazer da caça. Sem dúvida as lembranças de meus dias de caça nunca sairão da minha cabeça e estão entre as mais formosas lembranças da minha vida.


Certa manhã, ao acordar, ainda um pouco zonzo, avistei um bando enorme de patos que recobria toda uma lagoa próxima. Sem perder tempo agarrei minha espingarda e rolei escada abaixo numa correria que me vez dar de cara com a porta: vi mil estrelas em pleno dia, mas nem por isso desperdicei um segundo sequer.


Quando ia atirar, percebi, para meu desespero, que o violento choque com a porta, fizera cair minha isca de fogo. Por sorte, lembrei-me do que vira momentos antes: as estrelas que saíram com a pancada.


Sem perder tempo, abri a caçoleta da arma, apontei-a em direção à caça e soquei com um punho um de meus olhos. O vigoroso golpe fez saírem numerosas fagulhas, o bastante para inflamar a pólvora. A espingarda disparou e eu matei cinco casais de patos, quatro garças e dois gansos.


Isso prova que a presença de espírito é a alma das grandes ações.


fonte:

Grandes obras da cultura universal - Volume 15. editora Villa Rica - Belo Horizonte, Brasil 1990

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