O Barão de Münchhausen

Capítulo II - Das Histórias de Caça (6)


Seguramente, amigos, alguns de vocês já ouviram falar de Santo Huberto, padroeiro dos caçadores; e do veado que lhe apareceu numa floresta trazendo a santa cruz entre os chifres.

Nunca deixei de festejar todo ano esse santo com uma caçada a alguns veados em bosques próximos. Num dia de Santo Huberto, já no fim da caçada, meu estoque de chumbo miúdo havia acabado e me apareceu um daqueles animais enormes e que dá gosto abater. 

Imediatamente entupi o cano da espingarda de pólvora e acrescentei um punhado de sementes de cereja que ali mesmo comi rapidamente. Fiz fogo na testa do bicho, bem entre os chifres: o golpe apenas o aturdiu, ele cambaleou, mas se recompôs e correu. 

Um ou dois anos depois, no mesmo dia do santo, passei pelo mesmo bosque e – ó surpresa! – avisto um magnífico veado que trazia em sua galhada uma soberba cerejeira, de pelo menos 3 metros de altura. Lembrei-me, então, de minha aventura anterior e, considerando o animal como antiga propriedade minha, abati-o com um tiro, ganhando ao mesmo tempo um assado e a sobremesa, pois a árvore estava carregada de frutas, as melhores e mais delicadas cerejas que já comi em minha vida.

fonte:
Grandes obras da cultura universal - Volume 15. editora Villa Rica - Belo Horizonte, Brasil 1990

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