O Barão de Münchhausen

Capítulo II - Das Histórias de Caça (5)

O acaso, às vezes, se encarrega de corrigir nossos erros.

Eis um exemplo. Certo dia, vi numa densa floresta um javali fêmeo e um javalizinho que corriam em minha direção. Atiro e - pasmem - erro! 

Mas eis que o javalizinho continua sua corrida e sua mãe pára, imóvel, como atolada no solo. Chego perto para averiguar o que estava ocorrendo e então percebo que estou diante de um javali cego, que segurava entre os dentes a cauda do filho, o qual, num belo exemplo de amor, servia-lhe de guia. Minha bala errada, no entanto, cirurgicamente passou entre os dois animais, cortando o fio condutor e deixando uma pequena rabiola ainda entre os dentes da mãe. 

Ou seja, não se sentindo mais puxada, simplesmente empacou.

Segurei aquele pedaço e trouxe para casa, sem esforço nem sangue, o pobre javali inválido. Um banquete que só vendo!

Mas outro dia, topei com um feroz javali macho num bosque, completamente despreparado para qualquer esboço de defesa ou ataque. Mal tive tempo de me acuar junto a uma árvore: o animal se atirou sobre mim com toda a violência, procurando atingir-me de lado. Entretanto, suas presas, ao invés de penetrarem no meu corpo, cravaram-se tão profundamente no tronco da árvore que não teve meios de retirá-las.

        - Ha! Ha! – pensei – agora vamos acertar as contas!

Usei uma pedra para empurrar suas presas ainda mais na árvore para anular qualquer possibilidade de fuga. Porém o bicho, num ímpeto de medo daquela situação, se enterrou completamente no tronco da árvore e de lá nunca mais saiu. Tempos depois a árvore deu origem a pequenos javalizinhos em seus galhos, um milagre de vida!


fonte:
Grandes obras da cultura universal - Volume 15. editora Villa Rica - Belo Horizonte, Brasil 1990

Nenhum comentário: