O Barão de Münchhausen

Capítulo I - Da viagem à Rússia (parte 2)




Tomando como agradáveis os fatos ocorridos naquele vilarejo e excetuando-se o frio, tudo foi muito bem até minha chegada à Rússia, onde não é hábito andar a cavalo no inverno. Como tenho por princípio adaptar-me aos usos e costumes dos países onde me encontro, arranjei um típico trenó de um só cavalo e rumei à capital daquele país.


Não sei se foi na Estônia ou na Letônia, mas lembro-me ainda perfeitamente de estar em meio a uma floresta medonha quando me vi perseguido por um enorme lobo, que, tomado pela fome, estava ainda mais agressivo.



Logo me alcançou; não era mais possível escapar: estendi-me instintivamente no fundo do trenó. Aconteceu o que eu presumia, mas não ousava esperar! Sem se preocupar com minha modesta carne, o lobo saltou por cima de mim, atirou-se com fúria ao cavalo e devorou de uma só vez todo o traseiro do pobre animal, que, sentindo enorme medo e dor, pôs-se a correr ainda mais.


Por hora eu estava salvo! Levantei furtivamente a cabeça e vi que o lobo ia avançando cavalo adentro à medida que o comia. A ocasião era perfeita demais para que eu a deixasse escapar: agarrei meu chicote e comecei a açoitar o lobo com todas as minhas forças.


Essa inesperada sobremesa causou-lhe um tremendo susto: ele se lançou para frente com toda a velocidade, o cadáver de meu cavalo, que já não passava de uma carcaça de cabeça e metade de uma ferradura, caiu por terra e – veja só! – meu lobo ficou atrelado em lugar dele nos arreios.


Chicoteei-o com redobrada força e assim, naquela marcha, não demoramos a chegar sãos e salvos a São Petersburgo.


fonte:

Grandes obras da cultura universal - Volume 15. editora Villa Rica - Belo Horizonte, Brasil 1990

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