Quem conta o número de mortos em guerras?

Ao longo do século XX, estima-se que 60 milhões de seres humanos perderam a vida. Mas essa contagem é, por muitas vezes, controversa.

É feita por dois métodos que variam de acordo com a situação.

Se for até alguns meses após a guerra, governos e organizações não-governamentais buscam informações em serviços de emergência e na mídia local para estimar o total de vítimas.

Se for bem depois do cessar-fogo, uma equipe de pesquisadores visita a região e entrevista os sobreviventes para reunir dados sobre desaparecidos.

"O primeiro método é o mais confiável. Nas pesquisas feitas muito tempo depois das batalhas, os habitantes locais podem deixar a área, e muitos dos que ficam não falam sobre os confrontos devido a algum trauma", afirma o economista Marc Herold, da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos. Ele é autor de um detalhado estudo que apontou que mais de 3 mil pessoas morreram na invasão militar americana ao Afeganistão, em 2001, número muito superior às poucas dezenas de vítimas que constam das estatísticas oficiais do governo americano. A existência de versões conflitantes, aliás, é uma situação bastante comum.

O exército em desvantagem tende a exagerar o número de baixas do inimigo para tentar desmoralizá-lo, e o outro lado camufla dados sobre vítimas civis para preservar sua imagem. Além disso, muitas pesquisas ignoram as chamadas baixas indiretas do conflito, pessoas que morrem por causa de um sistema de saúde em frangalhos ou por disputas internas, por exemplo. Ao considerar essa variável, a socióloga Beth Daponte, da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, avaliou que o número de mortos da primeira Guerra do Golfo, em 1991, pode ter sido superior a 200 mil, um contraste brutal com as 1 500 baixas anunciadas pelo Exército americano. Após revelar suas estimativas, ela quase foi demitida do Departamento de Comércio de seu país, onde trabalhava como demógrafa.

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