Por que o povo alemão aderiu ao Holocausto?

holocausto
[Do gr. holókauston, 'sacrifício em que a vítima era queimada inteira', pelo lat. tard. holocaustu.]
Substantivo masculino.

1.
Entre os antigos hebreus, sacrifício em que se queimavam inteiramente as vítimas; imolação.
2.
A vítima assim sacrificada.
3.
P. ext. Sacrifício, expiação.
4.
Fig. Abstração da vontade própria para satisfazer a de outrem.
5.
Restr. A execução, em massa, de judeus e/ou de outras minorias perseguidas, como ciganos, homossexuais, etc., durante o nazismo. [Com cap. e antecedido do artigo def., nesta acepç.]

 
© O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa corresponde à 3ª. edição, 1ª. impressão da Editora Positivo, revista e atualizada do Aurélio Século XXI, O Dicionário da Língua Portuguesa, contendo 435 mil verbetes, locuções e definições.

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Até hoje é possível encontrar jovens alemães viajando a Israel para colaborar em projetos humanitários. É uma forma de recompensar a população judia pelos crimes cometidos pelos seus antecedentes durante a Segunda Guerra Mundial.

Que o Holocausto existiu, nenhum ser humano com o mínimo de seriedade nega.

Mas o que levaria uma nação inteira a apoiar tal atrocidade?

Essa talvez seja uma das perguntas mais pertinentes deixada pela Segunda Grande Guerra.

Os motivos podem ser variados, há muitas teorias sobre o assunto. Mas, pessoalmente, eu acho que a maior influência esteve na propaganda nazista e nas “regalias” que o partido nazista proporcionava à população.
Desde sua ascensão, Adolf Hitler já se mostrava um magnífico orador. Desde seus apaixonados discursos durante os congressos do Partido Nacional Socialista (Nazista) até seus famigerados comícios em Nuremberg.
Hitler conseguiu facilmente a adesão de milhões de alemães simplesmente por que ele começou a mover as massas.

Como?

Os judeus eram vistos na Alemanha como ladrões de empregos e de comida da população naturalmente germânica. Hitler, com seu discurso, inflamava este sentimento e conquistava aqueles que queriam melhores condições de vida, que eram a maioria.

Já no poder, o ditador, ao confiscar os bens dos judeus, revertia-os ao partido nazista e ao povo também, que foi iludido com uma “verdade” que poderia fazer a vida deles melhorar muito.

Quando começou a campanha de expansão territorial do espaço vital alemão, mais judeus tiveram seus bens confiscados em quase toda a Europa. Soldados alemães eram incentivados a enviar quadros, móveis, esculturas, jóias e tudo que eles encontrassem de valor nos países dominados para seus familiares na Alemanha; o que contribuiu para que a população virasse o rosto ao que realmente estava acontecendo na Europa.

O governo do III Reich era uma ditadura. "Mas era uma ditadura a serviço do povo", como afirma o historiador Götz Aly, da Universidade de Frankfurt.
Ainda segundo Götz, "o partido nazista era formado por demagogos que faziam de tudo para comprar quase que diariamente o apoio da população, ou ao menos a sua indiferença", e com isso ocultar do próprio povo o maior latrocínio da história.


Citações: 29 Coisas que não Fazem Sentido - ed. especial Revista Super Interessante. ed.253 junho/2008

9 comentários:

Beautiful world disse...

"Que o Holocausto existiu, nenhum ser humano com o mínimo de seriedade nega"

Supõe-se que a Igreja é uma entidade séria e até mesmo esta fechou os olhos para o ocorrido.

Jivago Meira disse...

A que igreja você se refere?
Ou melhor, a que padre/bispo/anyway você se refere?
Por que infelizmente atos isolados dessa natureza por parte da igreja e de governos (Ahmadinejad) são comuns e mesmo assim não refletem uma opinião geral de uma organização religiosa ou política (Estado).

Beautiful world disse...

Igreja Católica. Mais precisamente ao discurso de um bispo de tal Igreja.

Jivago Meira disse...

Então, é justamente o que eu disse.
São atos isolados que não refletem a opinião de um grupo inteiro, no caso, de todos os católicos.

Thiago disse...

"Mas o que levaria uma nação inteira a apoiar tal atrocidade?"

-A nação alemã NÃO sabia o que ocorria dentro dos campos de concentração assim como nos não sabemos o que se passa numa base militar brasileira. Eles, pensavam que eram campos de trabalho a serviço do Estado em guerra. A população apenas ficou sabendo das atrocidades ocorridas nesses "campos de trabalho" quando oficiais americanos levaram os populares da periferia para presencia os mesmos. O mundo ficou sabendo depois do documentario da BBC de Londres que fora feito para servi como prova no tribunal de Nuremberg(?).

"Os judeus eram vistos na Alemanha como ladrões de empregos e de comida da população naturalmente germânica."

- Creiu que se eu fosse alemão nessa época, eu também seria racista com os jusdeus.

Thiago disse...

A respeito da igreja catolica, há um livro que trata desse assunto (não lembro o nome do livro). Um artigo que eu li a respeito desse livro, argumenta que havia uma conspiração de Hitler para com o vaticano.
Se eu me lembro bem seria: "o vaticano permaneceria livre apenas pagando pelo seu silencio, caso contrario tropas alemãs pilhariam esta cidade".

Entre o silencio ou a provavel morte...

Jivago Meira disse...

Exatamente Thiago.
O partido Nazista exercia essa manipulação plenamente, sem interferência de praticamente nenhum opositor. E quando havia algum opositor, ou era morto ou era do tipo do grande Oscar Schindler ou Karl Plagge.

É tanto que, bem como você disse, as atrocidades cometidas pelo regime só foram conhecidas após o fim do conflito.

E quanto ao "ser nazista se fosse alemão na época" não deixa de ser uma afirmação com fundamento, porém é uma declaração que causa certo repudio, visto que nós já conhecemos o resultado desse pensamento no passado.

Abraços!

Isabelle Lins disse...

Se eu fosse alemã não agiria de forma racista ou apoiaria atrocidades contra os judeus pelo fato de eles "roubarem" emprego/comida da nação germânica. Se eles conseguiram tal posição, eles devem ter se mostrado melhores em algo. Que os alemães tratassem, então, de superá-los intelectualmente, por exemplo, para conseguirem melhores empregos e melhores condições de vida.

Thiago disse...

"E quanto ao "ser nazista se fosse alemão na época" não deixa de ser uma afirmação com fundamento, porém é uma declaração que causa certo repudio, visto que nós já conhecemos o resultado desse pensamento no passado."

De fato a minha afirmação causa repudio ao olhos do presente. Mas como historiadores nos temos que interpretar e criticar os fatos de duas formas: aos olhos do presente e do passado se possivel.

Os tempos eram outros, os conceitos também. Os alemães antes e durante a guerra, o apoiavam como salvador da patria, claro, não esqueçamos da poderosa propaganda que influenciava as massas.