O Licor do Oriente

"Seca todo o humor frio, fortifica o fígado,
alivia os hidrópicos pela sua qualidade
purificante, igualmente soberana contra sarna e a
corrupção do sangue, refresca o coração
e o bater vital dele, alivia aqueles que tem
dores de estômago e que tem falta de apetite,
é igualmente bom para as disposições
frias, úmidas e pesadas do cérebro [...]"

(Anúncio parisiense do século XVIII)


Apesar de toda essa propaganda positiva atribuída ao café, sua aceitação nos centros europeus não foi fácil. A começar pela sua procedência: Região de Kaffa, na atual Etiópia, a qual batizou o grão.

O café era identificado como provindo do lado herege do mundo, associado a um "estimulante pecaminoso", consumido por elementos pagãos, que se opunham à religião católica.

Além das razões religiosas, era temido pela ameaça econômica que representava, pois também os mercadores de vinho viam no café um forte concorrente, passando, por isso, a tentar desacreditá-lo.

Toda a contra-propaganda foi em vão.

O café era gostoso mesmo e a sementinha vermelha vinha com outros atrativos: Era exótico como as drogas orientais, como uma especiaria, o que acabava pro torná-la uma bebida rara, encontrada em poucas mesas, chique, cobiçada e muito apreciada. Era o licor do oriente.

A porta de entrada do café na Europa foi Veneza, o grande mercado de especiarias e artigos de luxo. Em seguida, países que dispunham de frota naval passaram a trazê-lo diretamente das regiões produtoras.

Particularmente em Londres, foi tão grande sua aceitação que deu origem às famosas coffee-houses, ponto de encontro de altos comerciantes, banqueiros, políticos e intelectuais.

E foi assim também na Itália, França e Portugal, onde se tem notícia dos cafés mais famosos do mundo, como o Café Procope, de Paris, ponto de reunião dos célebres revolucionários franceses. Na Alemanha, o compositor Bach compôs, em 1732, a A Cantata do Café, em que exaltava as qualidades da bebida.

Tão requintado era seu consumo, que as sementes, tratada como "pedras preciosas", passaram a ser presentadas entre pessoas de fino trato e bom gosto. Era um luxo!

E foi um desses presentes que chegou ao Brasil em 1727, originando, mais tarde, o Ciclo do Café.


Adaptado de: Império do Café. Ana Luiza Martins 7ªEd. Atual Editora LTDA., 1993

2 comentários:

Cleisson disse...

Oi
Parabens pelo blog, é sempre bom acompanhar blogs com conteudo educativo pela net, tenho um blog dedicado ao meio ambiente espero sua visita.
Cleisson

Fernanda de S. Nascimento disse...

Olá! O blog é muito bacana. Eu coloquei ele na lista de blogs do memórias do front!
Um abraço!